sábado, 19 de outubro de 2013

Looking for Banksy



Conhecido pela sua arte revolucionária que combina o humor negro ao estilo “status quo” e o grafitti, Banksy destaca-se pela sua técnica de “stencil”. As suas obras são, geralmente, críticas comportamentais sociais e políticas com as quais os observadores se identificam na mesma ideologia.

O pseudónimo do artista é conhecido pelo mundo, mas todos desconhecem a sua verdadeira identidade.

Durante este mês, Banksy está em Nova York e tem revelado diariamente imagens de novos trabalhos do seu mais recente projecto "Better Out Than In". Apesar dos inúmeros fãs, a polícia de Nova York corre atrás da identidade verdadeira de Banksy. Para estes o autor é um vandalista que destrói as propriedades das pessoas.


No entanto, a caça à identidade do artista não é tarefa fácil. As primeiras obras surgiram em 1990 mas, até hoje, ninguém sabe descrever Banksy. Já houve quem especulasse um rosto mas nada concreto nem certo.

A sua identidade é um enigma.

Relativamente à crítica de alguns ao seu tipo de arte, o revolucionário respondeu: “People ask why I want to have an exhibition in the streets, but have you been to an art gallery recently?” (As pessoas perguntam porque é que eu quero ter uma exposição na rua, mas será que elas visitaram alguma galeria recentemente?)

London

Westside, New York

Catarina Dias

Banksy nas ruas de Nova York


All Street, New York

O artista de rua mais famoso do mundo avançou este mês com o seu mais recente projecto “Better Out Than In” pelas ruas de Nova York.

Muitas vezes já andado na boca dos media, Banksy, possuí (efémeras) obras conhecidas. Da sua irreverência nos trabalhos no muro de Gaza aos trabalhos atrevidos em museus famosos, o autor é reconhecido pela sua crítica “status quo”.

Desta vez, ambição do artista é fazer da cidade uma galeria ao ar livre. A primeira pintura do artista a ser vista foi em Allen Street, mas já muitas outras obras se encontram espalhadas pela cidade.

Nos seus trabalhos, Banksy procura criticar o estado vulgar das coisas bem como indiferença das pessoas relativa ao poder dos Estados e dos media que lhes é imposto.

Mas mais do que umas simples pinturas, “Better Out Than In” em Nova York, será acompanhada de uma explicação áudio, à luz dos museus. Formato este que parece também ser alvo de uma crítica por parte do autor visto a narrativa se assemelhar a uma ironia ao estilo convencional dos museus.

Catarina Dias

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O voyeurismo dos reality shows

É desde a Idade Antiga que o Homem sente necessidade de representar os seus dramas, mudanças e adversidades.

Os gregos, desde cedo, demonstraram esta necessidade através do teatro. Mas os tempos evoluíram e novos mecanismos surgiram com o desenvolvimento tecnológico a partir do séc. XX. Agora demonstração do quotidiano é-nos apresentada através das redes sociais e pior, encenada por “reality-shows”.

Assistimos a um narcisismo que capta a atenção do público através da exposição máxima a que os “jogadores” são expostos. As birras, as futilidades, as intrigas, os romances, os segredos atraem as maiores audiências. Emoções fortes, dizem.

O ridículo é a chave do sucesso. O escândalo é aplaudido de pé.

“Big Brother”, criado originalmente por Joop van den Ende e John de Mol, na Holanda, foi o primeiro e um dos maiores êxitos da empresa ENDEMOL.

A mais recente aposta da produtora de televisão é o “Secret Story” que, em Portugal, já vai na 4.º edição.

Os telespectadores são atraídos pela futilidade e curiosidade desmedida, iludidos que aquela é a vida real.

Há fome de fama, de sexo e drama. Os participantes são o exponente máximo do tipo de personalidades que vive em excessos e loucuras abrindo mão da sua privacidade mais íntima a troco de fama e dinheiro. Atrevo-me a descrevê-los como heterónimos de prostituição. Cada um com a sua reles história que de tão secreta que (supostamente) é, a partilham com todo o país.

Preocupa-me que haja quem defenda que este tipo de programa é o espelho da sociedade onde se sobrevaloriza o culto à superficialidade e futilidade.
Sociedade onde a fisionomia, idiotice e vulgaridade se sobrepõe a valores mais importantes e relevantes.

Questiono-me quanto à assistência de reality-shows: será que as pessoas se revêm ou, por outro lado, se sentem menos idiotas?

A meu ver, estamos a viver um voyeurismo não sexual, mas sim intrometido. Através das câmaras, ligadas 24h por dia, os telespectadores buscam visualizar em primeira mão, problemas e relações pessoais alheios que não têm hipótese em situações normais do quotidiano.


Catarina Dias