É desde a Idade Antiga
que o Homem sente necessidade de representar os seus dramas, mudanças e
adversidades.
Os gregos, desde cedo,
demonstraram esta necessidade através do teatro. Mas os tempos evoluíram e
novos mecanismos surgiram com o desenvolvimento tecnológico a partir do séc.
XX. Agora demonstração do quotidiano é-nos apresentada através das redes sociais
e pior, encenada por “reality-shows”.
Assistimos a um narcisismo
que capta a atenção do público através da exposição máxima a que os “jogadores”
são expostos. As birras, as futilidades, as intrigas, os romances, os segredos
atraem as maiores audiências. Emoções fortes, dizem.
O ridículo é a chave do
sucesso. O escândalo é aplaudido de pé.
“Big Brother”, criado
originalmente por Joop van den Ende e John de Mol, na Holanda, foi o primeiro e
um dos maiores êxitos da empresa ENDEMOL.
A mais recente aposta da
produtora de televisão é o “Secret Story” que, em Portugal, já vai na 4.º
edição.
Os telespectadores são
atraídos pela futilidade e curiosidade desmedida, iludidos que aquela é a vida
real.
Há fome de fama, de sexo e
drama. Os participantes são o exponente máximo do tipo de personalidades que
vive em excessos e loucuras abrindo mão da sua privacidade mais íntima a troco
de fama e dinheiro. Atrevo-me a descrevê-los como heterónimos de prostituição.
Cada um com a sua reles história que de tão secreta que (supostamente) é, a
partilham com todo o país.
Preocupa-me que haja quem
defenda que este tipo de programa é o espelho da sociedade onde se
sobrevaloriza o culto à superficialidade e futilidade.
Sociedade onde a fisionomia, idiotice e vulgaridade se sobrepõe a valores mais importantes e relevantes.
Questiono-me quanto à
assistência de reality-shows: será que as pessoas se revêm ou, por outro lado,
se sentem menos idiotas?
A meu ver, estamos a viver
um voyeurismo não sexual, mas sim intrometido. Através das câmaras, ligadas 24h
por dia, os telespectadores buscam visualizar em primeira mão, problemas e
relações pessoais alheios que não têm hipótese em situações normais do
quotidiano.
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