quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O voyeurismo dos reality shows

É desde a Idade Antiga que o Homem sente necessidade de representar os seus dramas, mudanças e adversidades.

Os gregos, desde cedo, demonstraram esta necessidade através do teatro. Mas os tempos evoluíram e novos mecanismos surgiram com o desenvolvimento tecnológico a partir do séc. XX. Agora demonstração do quotidiano é-nos apresentada através das redes sociais e pior, encenada por “reality-shows”.

Assistimos a um narcisismo que capta a atenção do público através da exposição máxima a que os “jogadores” são expostos. As birras, as futilidades, as intrigas, os romances, os segredos atraem as maiores audiências. Emoções fortes, dizem.

O ridículo é a chave do sucesso. O escândalo é aplaudido de pé.

“Big Brother”, criado originalmente por Joop van den Ende e John de Mol, na Holanda, foi o primeiro e um dos maiores êxitos da empresa ENDEMOL.

A mais recente aposta da produtora de televisão é o “Secret Story” que, em Portugal, já vai na 4.º edição.

Os telespectadores são atraídos pela futilidade e curiosidade desmedida, iludidos que aquela é a vida real.

Há fome de fama, de sexo e drama. Os participantes são o exponente máximo do tipo de personalidades que vive em excessos e loucuras abrindo mão da sua privacidade mais íntima a troco de fama e dinheiro. Atrevo-me a descrevê-los como heterónimos de prostituição. Cada um com a sua reles história que de tão secreta que (supostamente) é, a partilham com todo o país.

Preocupa-me que haja quem defenda que este tipo de programa é o espelho da sociedade onde se sobrevaloriza o culto à superficialidade e futilidade.
Sociedade onde a fisionomia, idiotice e vulgaridade se sobrepõe a valores mais importantes e relevantes.

Questiono-me quanto à assistência de reality-shows: será que as pessoas se revêm ou, por outro lado, se sentem menos idiotas?

A meu ver, estamos a viver um voyeurismo não sexual, mas sim intrometido. Através das câmaras, ligadas 24h por dia, os telespectadores buscam visualizar em primeira mão, problemas e relações pessoais alheios que não têm hipótese em situações normais do quotidiano.


Catarina Dias

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